Segunda-feira, 31.08.15

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De volta ao trabalho e à rotina, ao blog e também a Philip Roth, agora com “A Mancha Humana”, a minha terceira leitura do autor. Livro extraordinário, este.

Apesar dos dois romances que li anteriormente ("A Humilhação" e "Pastoral Americana") terem histórias completamente distintas, neste são visíveis algumas peculiaridades no estilo de escrita de Roth. Por exemplo, a abordagem de assuntos sérios e polémicos que, em “A Mancha Humana”, é o racismo; a periclitância das personagens - hoje herói e amanhã traste -; finalmente as subtis alusões ao Judaísmo (naturalíssimas, não fosse o próprio escritor judeu), entre outras.

 

Estamos em 1998, a América é abalada pelo "escândalo Lewinsky".

Coleman Silk, o personagem principal, tem 71 anos e é um professor catedrático reformado. Apesar de toda a vida, quer profissional quer socialmente, ter sido um homem de sucesso, tem o final de carreira abalado pelo caso “spooks”. Uma palavra dita por Coleman numa aula acabou em denúncia de racismo e desencadeou uma catadupa de acontecimentos que o aniquilaram literalmente.

 

Toda a gente tem segredos mas como será viver omitindo algo relacionado com a essência do ser humano? É possível representar essa personagem no dia-a-dia? Assim viveu Coleman, escondendo de todos, mesmo dos que lhe eram muito próximo, um segredo próprio, que carregou toda a vida.

 

“A Mancha Humana” é um romance arrebatador. Envolvente, altamente viciante, com tantas voltas, reviravoltas e revelações, que às vezes até lembra um policial. Faz jus aos prémios que lhe foram atribuídos: "The Man Booker International Prize 2011", “Prémio Médicis 2002", "Prémio Britain's W.H. Smith", "American PEN/Faulkner", entre outros.

Obviamente, recomendo!

 

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publicado por numadeletra às 20:50 | Link do post | Comentar | Ver comentários (9) | Adicionar aos favoritos

Quarta-feira, 22.07.15

 

Este leitor preferiu manter o anonimato. No entanto, poderá a leitura revelar algo sobre a pessoa?

 

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Terça-feira, 07.07.15

 

 

“Admirável Mundo Novo”, da autoria de Aldous Huxley, foi publicado em 1932 e contrariamente ao que o título possa sugerir, aborda a evolução da espécie humana e não o progresso da ciência.

Trata-se de um romance ficcionado, um livro visionário já que, hipoteticamente no futuro, a espécie humana se desenvolve biológica e psicologicamente condicionada, dentro de uma sociedade organizada por castas, dos mais inteligentes aos imbecis: os alfas e os betas, depois os gamas, os deltas, os epsilões e, finalmente, a casta menos dotada, os bokanovsky.

O significado de família não existe, mãe e pai são figuras repugnantes para esta sociedade. Também Deus é banido e metaforicamente apelidado de “Ford”; “oh meu Ford” e “por amor de Ford” assim dizem – numa alusão a Henry Ford, o pioneiro fabricante de automóveis.

A partir do momento em que estes indivíduos criados em laboratório nascem, as suas mentes são moldadas e tolhidas de inúmeras formas: através da hipnopédia, consumindo soma ou ainda através da fomentação de conceitos como a poligamia, a leviandade e a banalização das relações amorosas. Tudo em prol de uma sociedade feliz e estável, logo facilmente manipulável.

É a total desumanização da espécie, a revolução última do indivíduo. Apesar disso o livro não é uma utopia, antes uma distopia.

 

Aldous Huxley nasceu em 1894 nos Estados Unidos e morreu em 1963. Foi ensaista e escritor e foi ainda professor, entre outros, de George Orwell.

Ainda que com pontos de vista distintos, “Admirável Mundo Novo” e “1984” aproximam-se no facto de apontarem ambos para sociedades futuras onde não há liberdade de expressão.

Há uns anos li “1984”. Foi um livro que me marcou de tal maneira, que ainda hoje muitas vezes me vem à memória. É, sem dúvida, um dos meus livros favoritos. “Admirável Mundo Novo” ocupa agora também um lugar importante na minha lista de preferências literárias.

Imperdível?!

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Segunda-feira, 15.06.15

 

A acompanhar o post vem uma certa nostalgia por este ano a Numa de Letra ter faltado à Feira do Livro de Lisboa.

A leitora foi captada ano passado, a poucos metros da entrada do Parque Eduardo VII.

Quanto ao título do livro, bem! É já um repetente nesta rubrica...

 

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Quarta-feira, 03.06.15

 

A Casa dos Budas Ditosos_capa.jpg 

Nos anos noventa a editora de João Ubaldo Ribeiro anunciou ter encomendado a este escritor um texto sobre a luxúria. Assim surge “A Casa dos Budas Ditosos”, a transposição para livro de uma gravação deixada por um desconhecido ao porteiro do edifício onde trabalhava João Ubaldo Ribeiro.

 

É o relato impúdico e sem preconceitos de uma baiana de quase setenta anos, de cujo nome apenas as iniciais nos são reveladas (CLB), ao contrário da sua vida sexual, depravada ao exagero, que é quase toda exposta. Tudo, numa linguagem crua condizente com a sua condição social.

Também como ela própria explica, não é um romance e pretende chocar os leitores: “quero que quem me ler fique com vontade de fazer sacanagem”. Objectivo conseguido, já que o livro foi proibido no mercado português. Por outro lado, João Ubaldo Ribeiro recebeu várias cartas de mulheres que gostaram da protagonista.

Apesar de ser pornográfico e de utilizar muitas vezes linguagem vernácula, supera a “literatura de cordel” que eu associava aos livros do género. Afinal um livro pornográfico pode ser bem escrito.

Fica a dúvida se este “homem fêmea” (como a própria personagem se autodefine) existiu mesmo ou se não será um subterfúgio do escritor para a ousadia literária e consequente quebra de inibições de escrita.

 

É um livro escrito em português do Brasil, pátria do escritor e durante a sua leitura tantas vezes tive a sensação de ser a personagem a contar a própria história. 

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publicado por numadeletra às 17:42 | Link do post | Comentar | Ver comentários (13) | Adicionar aos favoritos

Quarta-feira, 13.05.15

 

Crónica do Rei Pasmado_capa.jpg  

Este romance, escrito de forma inteligente e hilariante, passa-se na corte espanhola durante o século XVII, reinava Filipe IV (III de Portugal). O rei, ao passar uma noite com uma bela prostituta chamada Marfisa, pasma-se, porque é a primeira vez que vê uma mulher nua. Mete na cabeça que também assim quer ver a rainha, sua mulher.

Só que esta decisão não era exclusivamente dele, dependia da corte. Aí começa uma intriga que envolve a Inquisição, o clero, um padre jesuíta português, a nobreza e até o povo, em 2 facções distintas e opostas: de um lado os que entendiam que essa decisão era pessoal, independentemente do estatuto de quem a tomava, do outro, a Inquisição, uma organização pesada e austera que entendia que, se o rei dormisse com a rainha, militarmente o país ficaria enfraquecido. Certo, é que o rei dormiu mesmo com a rainha…

Este é um breve resumo da história de ”Crónica do Rei Pasmado" de Gonzalo Torrente Ballester, mas o pequeno livro tem muito mais: é uma narrativa repleta de analogias subtis entre personagens e factos históricos.

Este best-seller foi adaptado ao cinema em 1991 pelo realizador espanhol Imanol Uribe e foi também contemplado com oito prémios Goya da Academia de artes Cinematográficas.

Do elenco faz parte Joaquim de Almeida, o padre Almeida jesuíta e português, personagem fulcral da história.

 

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publicado por numadeletra às 17:50 | Link do post | Comentar | Ver comentários (11) | Adicionar aos favoritos

Domingo, 03.05.15

 

“gosh!” é o nome de uma livraria especialista em banda desenhada, no Soho, em Londres.

A 03 de Maio foi instaurado o "Free Comic Book Day", um dia comemorado internacionalmente em que a "gosh!" oferece livros.

 

 

 

 

 



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Terça-feira, 21.04.15

 

O Bruno Portela é bailarino de Ballet Clássico e divide o seu tempo entre Aguda e Milão.

Encontrei-o na Aguda, num dia de Inverno que quase parecia de Primavera, com 2 livros como companhia.

"Mustang Branco" foi o escolhido para a leitura daquele dia. O livro de Filipa Martins, de quem o Bruno me disse ser amigo.

 

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publicado por numadeletra às 21:36 | Link do post | Comentar | Ver comentários (7) | Adicionar aos favoritos

Domingo, 29.03.15

 

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Em “Nunca me Deixes" Kathy, a personagem principal, conta a sua história e a de Ruth e Tommy, seus amigos íntimos, desde tenra idade até ao fim da vida destes. Crianças postas no mundo com o propósito único de doarem órgãos, sendo o seu percurso e mentalidade moldados nesse sentido, por tutores.

Porque será que os tutores valorizam tanto a capacidade criativa e os trabalhos artísticos destas crianças? De onde vêm elas, afinal? O que escondem os tutores? São algumas perguntas colocadas pelo leitor ao longo da narrativa, finalmente desvendadas na 3ª e última parte do livro.

 

É uma história triste e comovente que, apesar de um desfecho previsível, me manteve interessada até à última página. É também uma história futurista com traços de ficção científica na qual o autor utiliza uma escrita muito simples, quase primária, talvez com o propósito de fazer realçar a mentalidade e idiossincrasias das personagens.

O tema é forte e polémico. Um interessante mote para uma boa conversa e troca de ideias entre quem o lê. É a condição humana que está a ser analisada.

 

Kazuo Ishiguro nasceu no Japão em 1954 mas mudou-se para Inglaterra com os pais em 1960. Actualmente reside em Londres. Foi vencedor do Man Booker Prize em 1969. 

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publicado por numadeletra às 19:04 | Link do post | Comentar | Ver comentários (10) | Adicionar aos favoritos

Segunda-feira, 02.03.15

 

Ontem, antes de ir para o Rivoli assistir a mais 2 filmes do Fantasporto, entrei na Duas de Letra, uma cafetaria-galeria do Porto que, por causa do nome, me havia suscitado curiosidade.

Aí conheci o David, um Engenheiro Informático de Gondomar actualmente a estudar Engenharia Civil na FEUP.

Disse-me que também "é freguês" do Fantas e tem um blog, o Unisex Music que, tal como o nome indica, é dedicado à música.

Publico-o na rubrica acima assinalada, com um bonus: é que o David Freitas teve a gentileza de dedicar uma música ao meu blog que também aqui deixo ficar, com os meus agradecimentos.

 

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publicado por numadeletra às 19:05 | Link do post | Comentar | Ver comentários (7) | Adicionar aos favoritos


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