Segunda-feira, 25 de Junho de 2012
  

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“O Teu Rosto Será o Último”, de João Ricardo Pedro, suscitou-me uma espécie de desassossego, desde que fiquei a saber da sua existência. Um desassossego com tudo o que de positivo a palavra contém. Um misto de ânsia e curiosidade em descobri-lo.

 

As críticas favoráveis de fontes próximas, fidedignas, deram o mote para o interesse despertar. Depois foi a história em torno do escritor: o Engenheiro Electrotécnico a quem o destino decidiu mostrar que um despedimento nem sempre é sinónimo de agrura e a determinação e o trabalho podem trazer boas contrapartidas.

 

Estava o desassossego instalado. Tinha de confirmar estas premissas.

 

Na véspera do último dia da Feira do Livro, lá vou, então, rumo a uma das muitas bancas onde este livro se podia encontrar em destaque.

No trajecto cruzei o olhar com o “Livro do Desassossego”, de Fernando Pessoa, e a irrefutável analogia fez-me sorrir (mal eu sabia que o meu desassossego por “O Teu Rosto Será o Último” não terminaria quando o começasse a ler).

Na 4ª Feira da última semana, ainda em estado de enamoramento por “Breakfast at Tiffany’s (Boneca de Luxo)”, de Truman Capote, chegou a oportunidade de, finalmente, abrir as hostilidades e ler o primeiro capítulo de “O Teu Rosto Será o Último”.

No dia seguinte li outros quatro, mais dos que o tempo livre me permitia. Apaguei a luz a contra-gosto, por causa desse 4º capítulo que teimei em ler, convencendo-me, interiormente, que seria “só mais um…”.

 

A partir daqui foi um desassossego constante: sempre a suspirar pela hora da leitura, por mais um capítulo, por mais uma descoberta, por ler sem parar.

O “só mais um…” tornou-se um mantra que só deixei de evocar no Domingo à tarde, quando cheguei ao fim.

 

Este livro bem português fala de várias idiossincrasias. Da guerra, da música, da pintura, da família...

Várias histórias dentro da mesma história, pedaços cronologicamente distintos e aparentemente díspares mas que se encaixam, só é preciso continuar a leitura e esperar que comece a fazer sentido.

Cada capítulo tem um final surpreendente, inquietante. Nalguns fiquei quase boquiaberta, em sobressalto, tamanho foi o horror ou a surpresa revelados.

 

Um livro que apaixonou tantos portugueses e que, desde a sua 1ª edição em Março do corrente ano, até agora, já conta com 6 edições e mais de 25000 exemplares vendidos.

O livro que também me apaixonou.

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publicado por numadeletra às 11:35 | Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

8 comentários:
De pedrices a 25 de Junho de 2012 às 15:39
Sim! Desassossego é uma boa palavra. Antes, durante e depois.

:)


De numadeletra a 25 de Junho de 2012 às 16:57
Isso :-)


De golimix a 25 de Junho de 2012 às 18:14
Também faço isso quando algum livro me está a interessar, digo para mim interiormente "Só mais uma página" depois passa "Vá, já agora até ao fim deste capítulo". Por isso prefiro deixar as leituras mais devoradoras para férias, mas nunca para ler antes de ir para a cama, porque eu PRECISO mesmo das minhas horas de sono! Senão não funciono. Ainda por cima tenho um defeito enorme, leio muito devagar... Não consigo ler um livro depressa.

Esse por acaso também é um livro que me tem causado algum desassossego e ainda não consegui calá-lo. E, provavelmente, irei calar primeiro esse do que o Truman Capote

Boa semana



De numadeletra a 26 de Junho de 2012 às 09:55
Só uma advertência, golimix: em "O Teu Rosto Será o Último" vais encontrar um chorrilho de palavrões (completamente dispensável, na minha opinião. Aliás, para mim o palavrão é sempre desnecessário).

Bom semana!


De marcia a 27 de Junho de 2012 às 00:14
Aqui estamos de acordo. Também os dispenso. Não gosto de ouvir, mas de ler... detesto mesmo!


De marcia a 26 de Junho de 2012 às 02:07
Ainda bem que o livro te agradou muito! A mim, como sabes, também me encheu as medidas!


De numadeletra a 26 de Junho de 2012 às 09:57
A tua opinião também me levou ao livro.


De marcia a 27 de Junho de 2012 às 00:12


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