Domingo, 27 de Outubro de 2013

 

 

Na altura da atribuição do Prémio Nobel da Literatura 2013, fui reler esse grande escritor que nos últimos anos é quase sempre apontado como um candidato ao prémio, Philip Roth. Ainda não foi desta que venceu, o Nobel foi atribuído a Alice Munro, uma Canadiense octogenária, mestre do Conto, vencedora do Man Booker International Prize, em 2009.

Também Philip Roth foi galardoado com esse prémio, em 2011. Autor muito premiado na América, com "Pastoral Americana" venceu o Prémio Pulitzer, em 1997. É um livro que aborda sentimentos contraditórios sobre a América, rico e completíssimo.


Seymour Levov, por todos conhecido como o “Sueco” é judeu e, quando jovem, era a "estrela" do Liceu. Todos, sem excepção, nutriam por ele uma grande simpatia e admiração, idolatrando-o por ser um ás do Desporto, destacando-se no Basebol. Mas para o Sueco o importante e objectivo principal na vida sempre foi passar despercebido, manter a harmonia à sua volta, ter um lar, casar-se e ser feliz. Assim, apaixona-se e vem a casar-se com a Miss New Jersey, vai viver para a casa dos seus sonhos e tem uma filha. Tudo parecia encaixar-se de forma perfeita até ao dia em que vê partir a filha, Merry, de 16 anos, que sai de casa para nunca mais voltar.

 

Fui percorrendo as páginas deste livro sempre com grande deleite, muito na expectativa de descobrir os motivos que levam uma adolescente a tornar-se bombista, assassinando dessa forma 4 pessoas. Uma jovem que aparentemente tudo tinha para não ser assim, pois era oriunda de uma família que a amava e lhe procurou dar uma educação exemplar.

Coloquei-me no lugar de Merry e não consegui encontrar motivos para tamanha rebeldia e ódio: teria sido a gaguez a causa de tanta revolta? As imagens da auto-imolação do monge budista no Vietname que aos 11 anos sideraram Merry? As evasivas do avô paterno contra alguns dirigentes Americanos? A guerra do Vietname pela qual Merry sempre foi contra? Quais seriam os verdadeiros motivos que a moviam?

Não, nenhuma destas causas me pareceram suficientes para levarem alguém a ser bombista, a matar sem remorsos, a fugir da família sem deixar rasto, trocando o conforto e a protecção por uma vida de pária, com tudo o que isso implica, até mesmo ser violada. A odiar a sua pátria, a América. Verdadeiramente o antídoto do sonho do pai.

 

Este é o âmago da história mas há mais, muitas questões pertinentes são levantadas: a guerra, o Judaismo, o Catolicismo, o conflito entre religiões e gerações, o orgulho ou a vergonha de ser Americano, entre tantas outras. Tudo muito bem escrito...

 

Recomendo Philip Roth e “Pastoral Americana”, sem qualquer reticência. É um autor que quero continuar a ler mais e mais.

 


publicado por numadeletra às 18:46 | Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

8 comentários:
De pedrices a 28 de Outubro de 2013 às 11:10
Muito bem! Esse é um dos grandes livros de Roth, o meu preferido até agora.
Estou quase, quase a começar a ler mais um dele.


De numadeletra a 1 de Novembro de 2013 às 19:42
Eu ainda só li dois mas este é, sem dúvida, o melhor.
Obrigada por teres aparecido.
Bom fim-de-semana.


De Existe um Olhar a 28 de Outubro de 2013 às 20:39
Sem dúvida um livro com abordagens bastante interessantes e que como tu bem dizes, ficam algumas questões no ar.
Gosto de livros que nos deixam a pensar.

Beijos


De numadeletra a 1 de Novembro de 2013 às 19:43
Este é especialmente bom, acredita.

Beijinho com votos de bom fim-de-semana.


De Miguel Alexandre Pereira a 29 de Outubro de 2013 às 15:38
Um autor que mais tarde ou mais cedo terá um Nobel, é daqueles que não engana. A sua qualidade superior destencia-o dos demais, só peca por tardio esse prémio. Já tive a oportunidade de ler este livro e simplesmente adorei, um hino à literatura!


De numadeletra a 1 de Novembro de 2013 às 19:44
Subscrevo na totalidade o teu comentário.

Um abraço com votos de bom fim-de-semana.


De C. a 30 de Outubro de 2013 às 14:56
mais um "A LER"- haja tempo :\


De numadeletra a 1 de Novembro de 2013 às 19:47
Ainda que o título não seja o mesmo, é interessante como "pegamos" em Philip Roth ao mesmo tempo.

Bom fim-de-semana...


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