Quinta-feira, 4 de Abril de 2013

 

 

Como já por aqui tive oportunidade de dizer, os contos e as pequenas histórias não estão nas minhas leituras de eleição e por isso dou-lhes pouca prioridade.

 

Ao pegar nesta edição de 1978 – que, diga-se de passagem, sempre me cativou pelo bonito título e pelo seu vermelho a contrastar com a lombada azul turquesa –, sem o saber ou premeditar, escolhi-a na altura certa.

 

Alberto Moravia escreve trinta histórias sobre trinta mulheres. Narrativas agradáveis, muito diferentes umas das outras, ainda que com um ou outro detalhe comum, quiçá pequenas brincadeiras do autor… Por exemplo, o comerciante de perfumes numa história, a mesma profissão na seguinte, num contexto completamente diferente.

Uma similaridade que as une: a inconstância no amor. Casamentos falhados, forçados, amantes à mistura, a busca incessante pelo amor, a eterna guerra entre sexos. Há um toque masculino em todas elas, um constante relembrar ao leitor que quem aqui escreve no feminino do singular é um homem.

 

Em suma, é um conjunto de pequenas histórias que proporcionam uma boa distracção sem nada cobrarem em troca. Não há nomes, sítios nem qualquer detalhe importante para memorizar para as próximas leituras, porque a seguir há uma nova história.

 

A leitura certa quando a mente exige espaço e pouca concentração e quando a vida nos mostra que, afinal, temos uma outra face da lua...

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publicado por numadeletra às 17:29 | Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

11 comentários:
De golimix a 4 de Abril de 2013 às 19:42
Acho que essa é uma lua a visitar ;)

Bjix


De numadeletra a 7 de Abril de 2013 às 19:12
Recomendo :-)

Bjinhos


De Existe um Olhar a 5 de Abril de 2013 às 19:54
Tu tens o condão de nos mostrar obras que me dão uma vontade enorme de ler, tal a forma perfeita como as analisas.

Bom fim de semana

Beijos
Manu


De numadeletra a 7 de Abril de 2013 às 19:15
Obrigada, Manu!... Fico embevecida com as tuas palavras.
Beijinhos e boa semana


De miilay a 6 de Abril de 2013 às 23:41
Parece-me bem! E então nesta altura que não me consigo concentrar durante muito tempo, acho ótimo.
Um abraço
miilay


De numadeletra a 7 de Abril de 2013 às 19:19
Olá miilay!
Parece-me uma boa escolha.
Boa semana e um abraço


De redonda a 9 de Abril de 2013 às 22:25
Dele, lembro-me de ter lido há alguns anos O Desprezo. Penso algumas vezes na história nesse livro sobre como as relações, a forma como vemos o outro, pode mudar radicalmente.
Fiquei com vontade de ler também estes contos.


De adignidadedadiferenca a 10 de Abril de 2013 às 00:29
Há contos e contos. Os do Juan Rulfo, por exemplo. Nunca mais se é a mesma pessoa depois de serem lidos. :-)


De numadeletra a 13 de Abril de 2013 às 10:44
Agradeço o comentário e a sugestão, que registei. Seguramente que em breve irei descobrir Juan Rulfo.

Bom fim-de-semana!


De C. a 12 de Abril de 2013 às 10:14
É engraçado até há pouco tempo tinha tendência para deixar os livros de contos para "outro dia", como se no sítio de arrumação das ideias tivesse catalogado que os contos eram um exercício literário menor, ou uma alternativa fácil aos que não se podiam aventurar na arte da poesia ou do romance. Perfeito disparate, dou por mim então a pensar se poderá ser uma questão de educação- não tenho memória de no plano de educação obrigatória ter livros de contos- há algum que passe de geração em geração, temos tradição nessa área?

Depois e sem que pensasse muito nisso juntei à lista dos livros que mudaram a minha percepção da literatura, o Ficções e o Aleph- mas continuei a sentir que os contos (o que estava para lá de Borges ) deixavam uma sensação de insuficiência (engana, mas não mata a fome)- mas Borges, quer dizer, quase dá vontade de disparatar e em vez de perguntar de há poesia depois de Celan, perguntar se há literatura depois de J L Borges, o facto é que há, talvez seja necessário colocá-lo um pouco de lado porque pode ser uma herança pesada e olhar para o que está à volta- e nesse campo em redor, é como se diz há o bom e o mau, como de resto em tudo na vida :D. Gogol, Rulfo, Cortázar, calculo que o Ribeyro também pode entrar na lista, são gigantes na arte do conto- mas exigem do leitor a atenção e a entrega :D



De numadeletra a 13 de Abril de 2013 às 10:48
Jorge Luis Borges é, de facto, único.
Concordo com a dissertação e o reciocínio.

Bom fim-de-semana!


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