Sábado, 16 de Fevereiro de 2013

 As Regras do Tagame_capa.jpg

Yasunari Kawabata, Haruki Murakami, Takiji Kobayashi, Kyoichi Katayama compõem a lista de escritores nipónicos contemporâneos de quem já li alguns livros. Junto agora mais um: Kenzaburō Ōe, com “As Regras do Tagame”.

 

Parece-me pertinente começar por desmistificar o significado da palavra “Tagame” (pronuncia-se taga-may). Não, não é um método zen oriental com propósito terapêutico, tão-pouco o nome de uma música com furor mediático!

“Tagame”, fiquei a saber nas primeiras páginas deste romance, refere-se a uns grandes escaravelhos de água, com forma estranha, que vivem nos riachos montanhosos da floresta de Shikoku, no Japão.

Neste livro, o “Tagame” é o nome dado pelas duas personagens principais, Kogito e Gorō, a um gravador antiquado cujos auscultadores grandes e pretos se assemelham aos tais insectos. É uma peça importantíssima, em torno da qual gira o enredo, e funciona como um veículo para uma estranha forma de comunicação entre estes dois amigos, através de cassetes.

 

Baseada num facto real - o suicídio do cineasta Jūzō Itami, cunhado do autor -, a história começa com a informação do suicídio de Gorō (prestigiado realizador), dada pela mulher de Kogito (escritor), amigo e cunhado de Gorō.

Daí advém uma série de avanços no enredo, reflexões e meditações, tudo obsessivamente ligado a Gorō.

 

Encontramos várias alusões artísticas, tanto na área do Cinema, como na da Literatura, Música, Desenho ou Pintura. Até as inúmeras referências pormenorizadas a árvores dão um ar poético e artístico a esta narrativa. Foi o que mais me fascinou, sem dúvida.

Por outro lado há passagens agressivamente perturbadoras e desnecessárias do meu ponto de vista, nomeadamente detalhes relacionados com a actuação da Yakuza - a máfia Japonesa -, um tema bastante explorado neste livro.

 

O autor combina na perfeição ficção e realidade, reflecte e faz-nos reflectir sobre a condição humana, a amizade, a violência, a incompreensão e a ambição artística.

 

Sem dúvida, um escritor de letra maiúscula, merecidamente agraciado com vários prémios, entre os quais o Nobel da Literatura, em 1994, o mais importante e que lhe dá verdadeiro reconhecimento.

 

Excerto.jpg



publicado por numadeletra às 18:32 | Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

10 comentários:
De Veruska a 17 de Fevereiro de 2013 às 12:40
Li o "Não matem o bebé" e adorei.


De numadeletra a 19 de Fevereiro de 2013 às 14:41
Apesar de não ter lido este livro sei que com ele o escritor ganhou um prémio literário.

Obrigada pela sugestão, vou pô-lo em lista de espera.


De Sagitário a 18 de Fevereiro de 2013 às 09:56
Não conheço o autor, mas a tua descrição e o excerto do livro cativaram-me. Registei-o, pois poderá ser uma das minhas próximas leituras. Bjs.


De numadeletra a 19 de Fevereiro de 2013 às 14:42
Em caso de dúvida, não hesite... vá consultando ;-)

Gosto muito de te ler por cá.

Beijinho grande


De Existe um Olhar a 18 de Fevereiro de 2013 às 10:21
Um dos autores que consta na minha lista de livros a ler. Já li algumas sinopses de livros dele e muita gente que conheço já leu e todos são unânimes na qualidade da escrita deste autor.
Confesso que deste livro , nunca tinha ouvido falar.
É sempre bom vir aqui e ficar a saber tudo o que de melhor e mais actual se pode ler, pena que o tempo não dê para tudo.

Boa semana

Beijos
Manu


De numadeletra a 19 de Fevereiro de 2013 às 14:47
É natural que não tenhas ouvido falar deste livro, porque ele só foi publicado em 2012; é, portanto, um título muito recente.

Uma vez mais agradeço o teu comentário que é sempre muito positivo e gentil.

Beijinho e boa semana!


De stipe07 a 20 de Fevereiro de 2013 às 10:10
Haruki Murakami é o único escritor nipónico que conheço. Relativamente à Ásia, os indianos são os meus preferidos.


De numadeletra a 20 de Fevereiro de 2013 às 14:31
Dos Japoneses, Haruki Murakami é o meu favorito.

Este livro que acabei de ler, revelou-me um outro autor também de muita qualidade.
Gostei sinceramente da leitura.


De C. a 20 de Fevereiro de 2013 às 11:51
Do autor li " Dias Tranquilos". Pelo que leio no comentário vejo desde já que é sua característica recorrer à sua própria vida e partir daí. Este livro tem temas que me interessam bastante- a artes, no geral.
Aos japoneses que menciona adicionaria o Mishima- gostei particularmente do Templo Dourado (há um filme sobre o mishima com música do Philip Glass):)


De numadeletra a 20 de Fevereiro de 2013 às 14:38
Confirmo que é um romance que mistura realidade com ficção.

Para mim a Arte é também um tema que me interessa muito... o blog confirma-o.

Registei o autor que a C. mencionou, facto que desde já agradeço.

Um abraço!


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