Sexta-feira, 2 de Novembro de 2012

 A Questão Finkler - capa.jpg

Coincidindo com o mês em que foi anunciado o vencedor do prestigiado "Man Booker Prize" de 2012, peguei no livro vencedor do prémio em 2010: "A Questão Finkler" de Howard Jacobson, um escritor britânico, de origem judaica.

 

Treslove, Libor e Finkler são as personagens centrais. O que têm em comum? Para além de uma amizade de longa data, Libor e Finkler são judeus e Treslove aspira a ser. Mais, tornar-se judeu é uma obsessão para Julian Treslove, a personagem principal desta narrativa. Um homem que, apesar dos seus 49 anos, vive em plena crise de identidade, tal é o seu pessimismo a propósito de tudo e insegurança a respeito de nada. Uma obsessão não religiosa mas cultural, que Treslove alimenta através da constante pesquisa de hábitos, maneira de ser, características e até tiques semitas.

Chega a construir uma semântica própria, referindo-se aos judeus como os finklers.

Finklerófilo, finkleridade, finkleresa, finkleraico e não-finklers, são disso exemplo.

 

Através de discussões filosóficas, de episódios ligados aos "Judeus enVERgonhados", um movimento liderado por Sam Finkler, e em inúmeras passagens ao longo desta obra de ficção, são abordados com inteligência e humor, temas sérios e polémicos, tais como o sionismo, a circuncisão, o Holocausto, o conflito entre Israel e Palestina, a faixa de Gaza, entre outros.

Temas que Treslove tenta aprofundar, na esperança de conseguir formar uma opinião concreta.

 

Neste livro predominam ainda os termos iídiches (a língua germânica das comunidades judaicas hoje existentes na Europa Central e Ocidental).

 

Um óptimo romance, uma escrita bela e cativante a merecer a distinção do prestigiado prémio.

 

Excerto_A Questão Finkler.jpg

 



publicado por numadeletra às 10:12 | Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

12 comentários:
De António Simões a 2 de Novembro de 2012 às 22:11
Pelos vistos coincidimos neste livro, e partilhamos a mesma opinião. A alguns poderá parecer perigoso, a outros blasfémico, mas quanto a mim, o humor com que trata o assunto da questão judaica recorrendo a personagens totalmente distintas, faz o leitor interiorizar melhor o tema.


De numadeletra a 5 de Novembro de 2012 às 21:31
Tema difícil, sem dúvida, abordado de uma forma inteligente e cativante.
Para nós, europeus,a questão judaica é sempre enigmática.

Obrigada pelo comentário que muito me agradou.


De marcia a 4 de Novembro de 2012 às 02:43
Quero muito ler este livro. Gostei da tua opinião.


De numadeletra a 5 de Novembro de 2012 às 21:33
Estou certa que não será tempo perdido.
Obrigada pelo teu comentário, Márcia.


De Tiago M. Franco a 4 de Novembro de 2012 às 12:57
Nunca li nenhum livro em que as causas judaicas, tanto passadas como futuras fossem tão bem expostas. Esta obra vale sobretudo por isso.


De numadeletra a 5 de Novembro de 2012 às 21:40
Concordo, Tiago. Além disso, o humor e a subtileza na abordagem dos temas são extraordinários.


De Carriço a 5 de Novembro de 2012 às 17:07
A questão judaica, que tão bons resultados deu (e ainda vai dando) com Philip Roth. Interessante. Se já me despertava a curiosidade, agora desperta mais.


De numadeletra a 5 de Novembro de 2012 às 21:26
No meu caso, ponho a questão ao contrário. Ando com uma curiosidade imensa por Philip Roth :-)


De 222 a 15 de Novembro de 2012 às 23:59
Sabes que o Pedrices está há imenso tempo com este título na sua lista de livros para ler? E, pelo que escreves, tem razão! A ver se é desta.


De numadeletra a 18 de Novembro de 2012 às 18:16
Estou mortinha que o leia :-)

Já agora, 222, a propósito do que falámos aqui no blog há uns tempos, encontrei "A Lua e Cinco Tostões" cá em casa. Sou uma sortuda :-)))


De pedrices a 2 de Janeiro de 2015 às 11:22
Olha que bem... Venho eu ler finalmente este texto (estava guardado para quando eu lesse o livro) e eis que encontro conversas sobre mim :)

Bom, finalmente li o Finkler. E não foi uma coisa lá muito boa, confesso. Em breve, no pedrices...

Bom 2015!!!


De numadeletra a 5 de Janeiro de 2015 às 18:46
Um óptimo 2015, Pedro!
Estou ansiosa por ler a tua opinião sobre “A Questão Finkler” (mesmo sabendo de antemão que não será lá muito favorável...).
Um abraço.


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