Segunda-feira, 30 de Julho de 2012
Catedral - Raymond Carver.jpg
 
Há talvez 4 ou 5 anos, num caderno que me acompanha para quase todo o lado, escrevi: Raymond Carver, um dos autores preferidos de Murakami.

Já não sei dizer em que livro de H.M. é que fui buscar tal informação, mas lembro-me que na altura, vasculhei um ou dois sites de conhecidos livreiros e não encontrei nenhum livro deste autor americano, editado em português.

 

Foi na badana de “O Sentido do Fim” de Julian Barnes, que descobri finalmente, dois títulos traduzidos de Raymond Carver. Na última Feira do Livro do Porto, comprei-os.

“O Que Sabemos Do Amor” eu sabia que era uma compilação de contos, género literário que não aprecio particularmente; "Catedral” era uma incógnita, mas decidi arriscar.

 

Recentemente comecei a lê-lo. Gostei do que pensei ser o 1º capítulo e até guardei expectativas favoráveis sobre o livro.

Quando li o 2º e verifiquei que não tinha qualquer ligação com o 1º, estranhei, mas alimentei uma pequena esperança de que se tratasse apenas de uma característica que estou habituada a ver nalguns livros de Murakami e que muito me agrada: duas histórias, aparentemente diferentes, contadas alternadamente entre capítulos.

 

Ao chegar ao 3º capítulo, concluí que tinha nas mãos um livro de contos e fiquei desiludida. Para digerir essa desilusão recorri a Gabriel García Márquez, em “O Veneno da Madrugada”, que passou a ser a minha leitura principal.

 

Regressei a “Catedral”, titulo do livro e também nome do 12º e último conto desta compilação.

O que ficou? Está muito bem escrito e os contos são criativos e diversificados. A maioria destas pequenas narrativas é como se ensinasse uma lição mas também há algumas que deixam uma sensação de final brusco, como se faltasse acrescentar algo...

São histórias sobre coisas do quotidiano: o divórcio, o alcoolismo, a perda de um filho...

 

Achei curiosa a pequena referência ao “Coronel Sanders”, emblemática personagem da cadeia de fast food "KFC”, mas também de “Kafka à Beira-Mar”.

Muitas vezes questiono como é que Murakami se lembra de tão mirabolantes personagens, cenários e contextos. O Coronel Sanders talvez tenha sido inspirado em Raymond Carver?! Não sei.

O que sei é que Murakami me continua a surpreender, mesmo quando escreve contos. Raymond Carver, nem por isso.

 

 



publicado por numadeletra às 18:57 | Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

12 comentários:
De redonda a 30 de Julho de 2012 às 23:47
Tenho dois livros de contos do Raymond Carver, mas são edições antigas da Teorema. Entretanto li - onde já não me lembro onde - que o seu editor tinha por hábito cortar drasticamente os seus textos, de tal forma que os originais até pareceriam contos diferentes.


De numadeletra a 1 de Agosto de 2012 às 01:07
Interessante, ficar a saber desse facto, Redonda.

Obrigada pela partilha.


De Carriço a 31 de Julho de 2012 às 12:39
De facto, Carver é um escritor reconhecido, essencialmente, pelos seus contos. Li edições antigas de "De que falamos quando falamos de amor" e "Queres fazer o favor de te calares" e tenho para ler este "Catedral" (também noutra edição, com mais uns anos). A linguagem de Carver é muito simples, muito cénica, chamemos-lhe assim. Está-nos a ser contado aquilo que os olhos vêem e nada mais. Confesso que não é escrita que me deslumbre e que, o que dele li, me serviu apenas como entretenimento. Fico com a sensação de que falta sempre qualquer coisa, mas sou suspeito, os contos também não são o meu género de eleição.


De numadeletra a 1 de Agosto de 2012 às 01:03
Obrigada pelo comentário, Carriço.

Quando penso em conto, a primeira palavra que associo é efémero...


De sentaqui a 1 de Agosto de 2012 às 11:50
Obrigada pela partilha e pelas opiniões sobre o que lês, é sempre uma preciosa ajuda para as minhas escolhas


De numadeletra a 1 de Agosto de 2012 às 13:04
Obrigada pelas tuas sempre tão simpáticas palavras.


De pedrices a 1 de Agosto de 2012 às 13:43
Um dos primeiros livros que tenho memória de ter comprado foi de Raymond Carver. A edição mais recente é esse de que falas, “O Que Sabemos Do Amor". Na altura era "De que falamos quando falamos de amor". Não me lembro de muito... Mas deve ter sido uma boa experiência porque continuei a comprar livros e a lê-los :) Mas, pronto, são contos...


De numadeletra a 1 de Agosto de 2012 às 18:08
Tenho curiosidade em "O Que Sabemos Do Amor" e tenciono lê-lo qualquer dia.


De maria j.falcão a 4 de Agosto de 2012 às 20:49
Tente ler mais de Raymond Carver , acho que vale a pena. Murakami tem razão.
Abraço do falcão


De numadeletra a 5 de Agosto de 2012 às 16:40
Obrigada pelo comentário e sugestão!

Vou ler "O Que Sabemos do Amor".

Abraço,
numadeletra


De golimix a 9 de Agosto de 2012 às 14:47
Eu gosto de contos se estes forem bem escritos.
Uma curiosidade sobre um livro mencionado nos comentários "O Que Sabemos do Amor" (Do que Falamos quando Falamos de Amor), é que o seu editor é que este cortou o manuscrito e até alterou o título inicial. O autor concordou com processo mas, pouco depois, desejava republicar os contos, na sua versão integral, isso só foi conseguido após a sua morte.

Bj

Ah! Não sei se já disse mas ADOREI "A Harpa de Ervas" do Truman Capote, as opiniões que transmites sobre os livros ajudam-nos a escolhe-los, obrigada ;)


De numadeletra a 11 de Agosto de 2012 às 01:11
Estes doze contos de R. Carver estão muito bem escritos, não há dúvida.

Muito obrigada pelo teu comentário, golimix.
Fiquei feliz por saber que gostaste do "A Harpa de Ervas", de Truman Capote. Quando um livro nos preenche dessa forma, fica uma sensação tão agradável...

Bjs


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