Ainda no Museu Nacional Soares dos Reis (Porto) cruzei-me com outro leitor atento.


Não é fácil dissertar sobre a escrita de Marguerite Duras. No caso de “O Amor”, mais difícil se torna, tal a limpidez semântica do texto: comentando-o correria o risco de quase o adulterar, o que para mim é impensável.
Além disso, trata-se de um trabalho profundamente enigmático, embora fascinante.
Um homem, uma mulher, um viajante, S. Thala. Uma história sui generis e muito filosófica.
Um livro de escassas páginas mas complexo... não é mesmo isso o Amor?
Antes do habitual excerto, apenas a referência à importância desta escritora na Literatura Francesa, já que alguns dos seus títulos foram adaptados ao cinema com êxito. É o caso de “O Amante”, ou “Hiroshima, meu Amor”.
A todos - os que visitam, os que comentam, os que não comentam (oxalá ainda venham a comentar!), aos blogs seguidores, aos leitores que se deixam fotografar para a rubrica "Alguém, algures... Numa de Leitura", ao Blogs Sapo pelos destaques, a quem cantou os parabéns, aos que hão-de vir - aqui fica um abraço muito reconhecido e sincero de agradecimento. Foi uma grande festança!
Hoje o Numa de Letra faz 1 ano!!!


Bom fim-de-semana!
Apesar da curiosidade que há muito tinha em conhecer a escrita de Philip Roth, fui protelando e só agora entrei no seu mundo literário. Estreei-me com “A Humilhação”, o trigésimo livro do autor.
As poucas folhas e a escrita aparentemente acessível, poderiam à primeira vista sugerir tratar-se de uma leitura simples, quase básica, mas não. Na realidade, a escrita e a história estão recheadas de pormenores inteligentes, subtis e alguma psicanálise.
Roth elaborou um enredo envolvente e imprevisível, cheio de voltas e reviravoltas, deixando o leitor em constante meditação. Vários temas sérios e actuais são referidos: o suicídio, a pedofilia, a homossexualidade, por exemplo. E sexo... descrições explícitas que fazem corar o menos puritano!
O livro começa com o declínio do protagonista, o conceituado actor de Teatro e Cinema chamado Simon Axler, de 65 anos. Com um currículo invejável, de repente perde tudo: a confiança na arte de representar, a magia, o talento, a vontade de viver e até a própria mulher o abandona. Não conto outros pormenores, pois correria o risco de revelar demasiado… e foi tão empolgante descobrir a história página a página!
Sendo “A Humilhação”, o único título deste autor norte-americano de ascendência judaica que li até ao momento, talvez seja prematuro fazer uma associação de estilo e estrutura de escrita. Contudo, atrever-me-ia a coloca-lo entre Truman Capote e Cormac McCarthy.
Ficou uma vontade enorme de voltar a Philip Roth, na expectativa de descobrir melhor a sua escrita. Curiosa e coincidentemente, enquanto lia “A Humilhação”, vi uma entrevista que concedeu a um dos nossos canais televisivos e também aqui fiquei fascinada pela simplicidade e naturalidade com que se expôs, desvendando alguns dos enigmas dos seus livros mais marcantes.
Verdadeiramente um nome a reter, um premiado autor a reler.

O Sr. António Ferreira é um amante da Literatura, História Medieval e Filosofia Medieval. Tem mais de 5000 livros espalhados por todos os compartimentos da casa, excepto em dois (ãhmm... eses mesmos!).
Encontrei-o no Museu Nacional Soares dos Reis (Porto).








alguém algures... numa de leitura (iii)
breakfast at tiffany’s (boneca de luxo)
museu nacional soares dos reis